A ponte, explicada
Stari Most: a ponte que foi reconstruída
Uma ponte otomana de 1557, destruída a tiro de artilharia e caída no Neretva em 1993, reaberta em 2004 com as técnicas originais e grande parte da pedra original — eis a história por trás da fotografia.
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| Detalhe | |
|---|---|
| Construída | 1557–1566, encomendada por Solimão, o Magnífico |
| Arquiteto | Mimar Hayruddin |
| Destruída | 9 de novembro de 1993, durante a guerra croata-bosníaca |
| Reconstruída | Reaberta a 23 de julho de 2004 |
| Classificação da UNESCO | 2005, Área da Ponte Velha da Cidade Velha de Mostar |
| Altura acima do rio | Cerca de 24 m (79 pés), onde os mergulhadores locais se lançam |
Uma ponte otomana, construída para durar
Stari Most foi encomendada pelo sultão otomano Solimão, o Magnífico, e construída entre 1557 e 1566 pelo arquiteto Mimar Hayruddin, atravessando o rio Neretva com um único arco de pedra. Manteve-se de pé durante 427 anos — tempo suficiente para dar à cidade de Mostar o seu nome, derivado de most, os guardiões da ponte que a vigiavam — antes de se tornar numa das vítimas mais visíveis da guerra croata-bosníaca dos anos 90.
Destruída em 1993
A 9 de novembro de 1993, a ponte foi destruída por bombardeamentos das forças croatas durante a guerra, desmoronando-se no Neretva após um bombardeamento contínuo. A sua destruição tornou-se numa das imagens definidoras do conflito na Bósnia e Herzegovina — não um edifício perdido por negligência ou por uma era anterior, mas um ato específico e datado, dentro da memória viva da maioria dos guias que hoje conduzem os turistas pela sua substituta.
Reconstruída com as técnicas originais
A reconstrução que hoje se ergue utilizou técnicas de cantaria da era otomana e, sempre que possível, o calcário original — tenelija — grande parte recuperado do leito do rio onde a ponte tinha caído. O projeto contou com a UNESCO, o Banco Mundial e uma coligação de governos, e reabriu a 23 de julho de 2004, onze anos após a destruição, com a ponte inscrita como Património Mundial da UNESCO no ano seguinte, juntamente com a Cidade Velha envolvente.
Os mergulhadores, uma tradição mais antiga do que o postal
Mergulhadores locais saltam do Stari Most desde o século XVI, um salto de cerca de 24 metros para o Neretva que hoje é organizado, pelo menos em parte, em torno do clube de mergulho Mostari — mergulhadores que treinam para o salto e, na época, recolhem dinheiro dos espectadores antes de se lançarem, e por vezes oferecem instrução paga a visitantes preparados e aprendizes, em vez de saltos abertos a qualquer pessoa que passe. Vale a pena assistir em vez de tentar; a altura e a corrente são reais.
O que a ponte realmente parece de perto
O arco é mais estreito e mais íngreme do que a maioria das fotografias sugere — o tabuleiro de pedra é escalonado em vez de plano, desgastado e polido em alguns pontos por quase cinco séculos de passos, com parapeitos baixos e vistas genuinamente boas, tanto a montante como a jusante do Neretva, do cimo do arco. As duas torres de pedra em cada margem, Halebija e Tara, são anteriores à ponte e albergam agora um pequeno museu e espaço de galeria, em vez de serem puramente decorativas.
Porque é que a reconstrução importa tanto como o original
Os visitantes às vezes assumem que um monumento reconstruído é uma versão inferior do verdadeiro; no caso de Mostar, a reconstrução de 2004 é tratada localmente como um ato de recuperação por direito próprio, construída deliberadamente segundo os métodos originais em vez de atalhos modernos, e é a versão que todos os guias deste tour, e os próprios mergulhadores, realmente usam. Compreender ambas as datas — 1566 e 2004 — é a diferença entre ver uma ponte antiga e ver o que a cidade escolheu fazer depois de a perder.
Vê-la como parte de uma viagem mais longa
Este passeio oferece uma introdução guiada na ponte, seguida de tempo livre, o suficiente para atravessá-la a pé em ambos os sentidos, assistir a um salto se os mergulhadores estiverem a trabalhar nesse dia e apreciar a vista da torre Halebija sobre a Cidade Velha — um bom aproveitamento das cerca de três horas em Mostar incluídas nesta proposta específica, sem necessidade de uma visita separada e exclusiva a Mostar.
O Clube de Mergulho da Ponte Velha e a competição de julho
O clube de mergulho Mostari, responsável por grande parte da tradição moderna de mergulho na ponte, realiza uma competição anual todos os verões — mergulhadores de Mostar e de outros lugares competem em técnica e coragem a partir da mesma plataforma de cerca de 24 metros que os locais usam há gerações. Fora dos dias de competição, os mergulhadores do clube continuam a saltar informalmente para visitantes dispostos a contribuir para o custo do desporto, um verdadeiro sustento local e não um espetáculo turístico encenado, algo que vale a pena ter em conta antes de o tratar como entretenimento gratuito.
Visitar com respeito
A Cidade Velha de Mostar, incluindo a própria ponte, situa-se numa cidade ainda visivelmente marcada pela guerra dos anos 90 — edifícios danificados por obuses encontram-se a curta distância dos monumentos restaurados em várias direções, e a própria história da ponte é fonte de memória local real, por vezes ainda sensível, e não apenas um cenário fotogénico. Pedir autorização antes de fotografar mergulhadores individuais de perto e ler um pouco sobre a história recente da região antes de chegar faz aqui mais diferença do que num monumento com uma história mais longa e menos imediata.